Sumário
1. Carta de Fernando Haddad aos Paulistas 4
2. PRIORIDADE Nº 1: SP PROTEGE COM IMPUNIDADE ZERO 6
Valorização de quem nos protege 7
Câmeras corporais com gravação contínua 7
O Meu Celular de Volta 7
Golpe Zero 7
Segurança no campo 8
O estado inteiro nos territórios 8
A cadeia que corta o ciclo do crime 8
3. EDUCAÇÃO: A PORTA DA PROSPERIDADE 8
Ninguém para trás 8
Escola completa, com profissão 9
Universidade pública, patrimônio de São Paulo 9
O professor no centro 9
Educação com liderança 9
4. PROSPERIDADE PARA TODO MUNDO 9
O trabalho que rende 10
O pequeno que cresce 10
O campo que enriquece 10
A aposta na inteligência artificial 10
5. SAÚDE NA HORA CERTA 11
Consulta, exame e cirurgia com menor tempo de espera 11
O remédio e o socorro na hora certa 11
A sua saúde nas suas mãos 11
O cuidado que chega antes da doença 11
Uma rede só, com o estado de volta à coordenação 11
6. SÃO PAULO POR INTEIRO 12
Igualdade e respeito 12
Moradia digna 12
Mobilidade que liberta tempo 12
Água e saneamento para todos 12
Preparo para o clima que mudou 12
Cultura que pertence a todos 13
Esporte como política pública 13
Turismo que gera renda 13
Proteção social e segurança alimentar 13
Respeito a quem envelhece 13
Acessibilidade e inclusão 13
7. UM GOVERNO QUE FUNCIONA 13
Gestão com liderança e instituições que ficam 13
O estado que funciona na vida das pessoas 14
Contrato vale, e vale para os dois lados 14
O estado no controle das tecnologias 14
Transparência, contas prestadas e escuta 14
Responsabilidade com o dinheiro do paulista 14
1. Carta de Fernando Haddad aos Paulistas
São Paulo pode mais. Essa é a convicção que me trouxe até aqui e que atravessa cada página deste programa.
Desde que deixei o Ministério da Fazenda, tenho me dedicado a mergulhar fundo em São
Paulo. Rodei o estado, estudei os números e conversei com quem faz este estado funcionar todos os dias, dos prefeitos aos professores, dos policiais aos médicos, de quem emprega a quem trabalha. E o que encontrei foi uma situação pior do que eu imaginava: um governo que entrega pouco, muito menos do que toda a força paulista é capaz de gerar. Um estado com gente batalhadora, economia vigorosa e cidades cheias de vida não combina com um governo assim. Hoje, São Paulo é um gigante andando no piloto automático, sem a liderança, a visão e o projeto que os paulistas merecem.
Essa falta de direção aparece justamente naquilo que mais importa para a vida das pessoas.
Na segurança, o plano que o atual governador registrou na Justiça Eleitoral em 2022 reconhecia que menos de 4% dos crimes eram esclarecidos e prometia mudar essa realidade, mas a promessa não saiu do papel. Na saúde, a espera por uma cirurgia passa de onze meses. Na educação, eu pergunto: como é que pode a locomotiva do Brasil alfabetizar suas crianças abaixo da média nacional? E quando olhamos para a renda das famílias, apesar de ter a segunda maior do país, São Paulo aparece em 24º lugar entre os 27 estados quando o assunto é crescimento. O estado mais rico do país não pode se contentar com tão pouco.
Foi para mudar isso que me tornei candidato. E quero dizer aos paulistas, com clareza, por onde pretendo começar.
A segurança pública será a prioridade número um do meu governo, uma agenda que vou acompanhar pessoalmente e pela qual vou responder diante de vocês. O programa SP Protege tem como eixo central a Impunidade Zero, e começa por investigar bem cada crime desde a primeira hora, proteger com rigor as mulheres, crianças e idosos, valorizar de verdade os nossos policiais e sufocar o dinheiro que sustenta o crime organizado, da esquina ao andar de cima. Porque quando o crime compensa, ele cresce; e quando a investigação funciona, ele recua. No meu governo, o trabalhador vai voltar a viver em paz porque o criminoso vai voltar a ter medo de ser pego.
O segundo compromisso é com a prosperidade, e prosperidade para todo mundo. O mundo está mudando numa velocidade impressionante: a inteligência artificial vai transformar as profissões, e a economia verde vai criar as maiores oportunidades das próximas décadas. São
Paulo tem todos os ingredientes para liderar essa virada: as melhores universidades do país, o parque industrial mais completo, o agro mais sofisticado, energia limpa e gente talentosa e trabalhadora em cada região. O que falta é um governo que prepare o estado para esse futuro.
Isso começa por uma educação pública que não deixe ninguém para trás: que alfabetize na idade certa, que forme jovens dominando matemática e os prepare para as profissões que vêm aí. E continua na economia do dia a dia, que precisa funcionar para quem trabalha: empresa que se abre em minutos, crédito que chega ao pequeno negócio, formação profissional casada com a vocação de cada região, estrada bem cuidada para escoar o que o campo produz. É assim que o trabalho rende, o pequeno cresce e o campo enriquece, na capital e no interior.
O terceiro compromisso é com um governo que funciona e entrega. O paulista vai sentir isso no dia a dia: a cirurgia chegando na hora certa, o trem passando no horário, a obra ficando pronta no prazo. Também vou instalar no centro do governo um esforço permanente de simplificação para repensar processos, eliminar exigências desnecessárias e usar a tecnologia de hoje para entregar serviços à altura do nosso tempo. O cidadão vai resolver a vida com o poder público em minutos. Quem empreende terá menos burocracia e mais tempo para produzir e empregar.
E ninguém vai ficar para trás: o estado irá ao encontro do paulista no canal que ele já usa, por mensagem, por voz ou pessoalmente, em um Poupatempo refeito para o mundo de hoje, com o servidor ao lado do cidadão, do mesmo lado do balcão, resolvendo junto e ensinando.
E governo que entrega é governo limpo. Vou abrir os dados e fortalecer os órgãos de controle, porque contrato assinado no escuro o cidadão paga depois, no pedágio, na passagem e na conta de água. Nas concessões e nas privatizações, o princípio será claro: contrato vale, e vale para os dois lados. Quem assumiu o compromisso de prestar um serviço ao paulista vai entregá-lo no prazo e na qualidade combinados, com fiscalização de verdade e com transparência desde a assinatura. No meu governo, a regra vale igual para todo mundo, para o rico e para o pobre, para o grande e para o pequeno, e quem tem poder também presta contas.
E termino com o compromisso que considero essencial: quero ser cobrado. No primeiro ano de governo, este programa será transformado num plano de gestão com metas públicas e, a cada três meses, um placar aberto vai mostrar a qualquer cidadão o que avançou e o que ainda precisa avançar, a começar pela segurança. Afinal, o que não se mede não melhora.
Não peço um cheque em branco. Peço a confiança de vocês e o direito de ser cobrado por ela.
São Paulo pode mais, muito mais. E chegou a hora de ter um governo à altura da sua gente.
Fernando Haddad
2. PRIORIDADE Nº 1: SP PROTEGE COM IMPUNIDADE ZERO
Governar é escolher, e a primeira escolha deste programa está feita: a segurança pública será a prioridade número um do governo Haddad. O tamanho do desafio está documentado na própria Justiça Eleitoral: o plano registrado pelo atual governador em 2022 afirmava que menos de 4% dos crimes no estado eram elucidados, e assumia o compromisso de mudar esse quadro. Passados quatro anos, a promessa não saiu do papel: o governo atravessou o mandato sem publicar um indicador oficial do esclarecimento dos crimes, e a impunidade segue sendo a regra que sustenta o ciclo da violência, do celular roubado à violência contra a mulher, passando pelo patrimônio das facções.
O eixo de tudo é proteger a vida e o patrimônio do paulista, e isso começa por vencer a impunidade. A violência prospera em São Paulo porque a chance de um crime ser esclarecido e punido é pequena demais, e essa certeza da impunidade é o maior incentivo que o criminoso recebe. Por isso, o SP Protege tem como eixo central a Impunidade Zero, para que os crimes finalmente sejam resolvidos no estado. A estratégia se organiza em três frentes: nas ruas, nas casas e "no andar de cima".
Nas ruas, a proposta é integrar polícias e guardas municipais com um maior uso da inteligência. Vamos chamar os municípios para um grande pacto, em que as Guardas Civis
Municipais trabalhem em conjunto com a Polícia Militar, ampliando de forma expressiva a presença policial nas ruas. A inteligência artificial vai cruzar os dados de ocorrência e as chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostrem onde e quando o crime acontece, colocando a viatura no lugar certo, na hora certa, para prevenir o crime. O 190 terá resposta rápida: a chamada será cruzada em tempo real com o sistema de inteligência e câmeras, que localizará a ocorrência e permitirá acionar, de imediato, a viatura mais próxima.
Cada ocorrência será tratada como o início de uma investigação, e não como o fim de um registro. Vamos fortalecer a perícia e a investigação, integrar as bases de dados das forças de segurança e adotar tecnologia para transformar boletins de ocorrência em casos resolvidos. O compromisso central é elevar, de forma consistente, a elucidação dos crimes, e o seu cumprimento será exposto num Placar da Segurança, que vai publicar a cada trimestre os indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas.
Nas casas, o objetivo é proteger mulheres, crianças e idosos, alvos frequentes de violência doméstica no estado. O combate à violência que acontece dentro de casa terá estrutura dedicada e permanente. Para as mulheres, um sistema em que a plataforma de proteção acompanhe os sinais de risco, as Delegacias de Defesa da Mulher funcionarão 24 horas nas regiões de maior demanda e a Polícia Militar garantirá proteção efetiva a quem tem medida protetiva, com adesão imediata ao Alerta Mulher Segura, o programa federal que combina a
tornozeleira eletrônica no agressor e o dispositivo que avisa a vítima e aciona a polícia quando a distância determinada pela Justiça é desrespeitada.
Para crianças e adolescentes vítimas de violência, atendimento especializado e prova pericial em até 48 horas, para que nenhum caso se perca entre a denúncia e a responsabilização. E para a pessoa idosa, que sofre calada dentro da própria família, canal de denúncia com resposta e acompanhamento de cada caso.
No andar de cima, o objetivo é combater o comando do crime organizado. Vencer o crime exige atacar a raiz: o dinheiro que compra a arma, corrompe e recruta. É preciso inteligência, coordenação e coragem para enfrentar o dinheiro grosso e os poderosos do crime. Vamos criar a Agência Estadual Antifacção, estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção estratégica do governador, reunindo Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Estadual e órgãos de controle, com participação do Ministério Público e integrada por convênio com a
Receita Federal, a Polícia Federal, o Banco Central e o COAF. A missão é seguir o dinheiro do crime, desarticular as organizações, bloquear seu patrimônio, impedir sua infiltração na economia formal e dar destinação social aos bens confiscados.
Valorização de quem nos protege. Não existe segurança pública forte com profissionais desvalorizados. Vamos cuidar da carreira, das condições de trabalho e da saúde física e mental dos policiais civis, militares e penais, dos bombeiros e dos profissionais da Polícia
Técnico-Científica. As promoções voltarão a seguir critérios profissionais, sem interferência política. E vamos valorizar os salários para tirar São Paulo da vergonhosa posição de um dos estados que pagam os menores salários policiais do país.
Câmeras corporais com gravação contínua. Vamos dar, a cada policial, formação de qualidade, protocolos claros e equipamentos modernos. As câmeras corporais terão gravação contínua durante todo o serviço na rua, sem depender do acionamento de cada agente, protegendo o cidadão nas ocorrências e o policial contra acusações injustas. Quem age dentro da lei sai fortalecido quando a verdade está gravada.
O Meu Celular de Volta, em parceria com o Governo Federal, vai devolver ao cidadão o que lhe foi tirado. Roubar um celular hoje não é roubar um aparelho: é levar junto o trabalho, o dinheiro e a memória de uma família. O programa fecha o ciclo inteiro: o boletim dispara o rastreamento por IMEI, o bloqueio e a devolução na mão do dono, e quem comprou aparelho roubado recebe o aviso oficial para devolver, sob pena de responder por receptação. E São
Paulo entra com a metade que só o estado pode fazer, desmontando o mercado que torna o roubo lucrativo, pelo caminho da Lei dos Desmanches: IMEI obrigatório na nota fiscal, venda vedada sem comprovante de origem e fiscalização sobre o comércio de usados.
Golpe Zero. O crime que mais cresce em São Paulo não usa arma, usa tela: o golpe do falso investimento, a clonagem de aplicativos, a fraude que esvazia em minutos a poupança de uma vida. Vamos enfrentá-lo com uma central estadual de reação imediata, capaz de receber a denúncia e agir para bloquear o dinheiro antes que ele desapareça, com investigação especializada em crimes digitais e responsabilização de toda a cadeia do golpe, do laranja ao
financiador. O golpista conta que a vítima não saiba a quem recorrer; em São Paulo, vai passar a saber.
Segurança no campo. Vamos levar às áreas rurais o patrulhamento orientado por dados, integrado aos centros regionais de comando e controle, priorizando o combate ao furto de gado, maquinário, defensivos e insumos e à receptação que o financia, com atenção especial aos pequenos produtores e articulação com os estados vizinhos nas divisas.
O estado inteiro nos territórios. Segurança não é tarefa de uma secretaria, e sim do governo inteiro. Nos territórios mais atingidos pela violência, o estado vai chegar por completo: a polícia, mas também a escola em tempo integral, o esporte, a cultura e as oportunidades para a juventude, com programas de mentoria e primeiro emprego para os jovens mais expostos ao recrutamento. E vamos criar o Alistamento Civil Remunerado, para tirar dezenas de milhares de jovens em vulnerabilidade das garras do crime organizado, oferecendo a eles perspectiva profissional e um futuro decente. Cada jovem com futuro é um recruta a menos para o crime.
A cadeia que corta o ciclo do crime. As facções que aterrorizam São Paulo nasceram nos presídios e seguem comandando de dentro deles. Vamos reforçar o controle do sistema prisional: separar os presos por perfil e por facção, cortar as comunicações que sustentam o comando do crime atrás das grades e ampliar o trabalho prisional, com preso aprendendo profissão enquanto cumpre pena. Também vamos fazer a nossa parte contra o prende-e-solta:
investigação e prova bem-feitas para a prisão se sustentar na Justiça, e egresso acompanhado para romper com o ciclo do crime.
Em São Paulo, o trabalhador vai voltar a viver em paz, porque o criminoso vai voltar a ter medo de ser pego.
3. EDUCAÇÃO: A PORTA DA PROSPERIDADE
Não existe projeto de prosperidade sem escola pública de qualidade, e é na educação que a falta de projeto cobra o preço mais alto. Pela régua federal do Ministério da Educação, 61% das crianças paulistas da rede pública foram alfabetizadas na idade certa em 2025, contra 66% na média nacional, enquanto o Ceará, com uma fração da riqueza paulista, alcançou 84%, graças a um regime sério de colaboração entre estado e municípios e ao apoio efetivo a quem está na ponta. O que falta a São Paulo é um governo que assuma a educação como obra de estado.
Ninguém para trás. Toda criança paulista alfabetizada na idade certa, com o estado exercendo de verdade o papel de coordenador das redes: um pacto com os 645 municípios, com apoio técnico e financeiro, avaliação transparente e metas medidas pela régua federal, a mesma que vale para o Brasil inteiro. E, para os estudantes que a escola vem perdendo, busca ativa, reforço de aprendizagem e apoio à permanência, porque cada aluno que abandona os estudos é um projeto de vida interrompido.
Escola completa, com profissão. Vamos expandir com qualidade o ensino em tempo integral e conectar o ensino médio à formação profissional que emprega, aproveitando a força do
Centro Paula Souza, das Etecs e Fatecs, para que o jovem conclua a educação básica com diploma e com profissão, preparado para as carreiras que a nova economia está criando. A escola pública paulista deve ser o caminho mais curto entre a origem de um jovem e o futuro que ele deseja.
Universidade pública, patrimônio de São Paulo. A USP, a Unicamp, a Unesp e a FAPESP são conquistas de décadas e serão tratadas como aquilo que, de fato, são, instituições de estado. Vamos respeitar a autonomia universitária e a estabilidade do financiamento que a sustenta, aproximar a pesquisa paulista dos desafios concretos do estado, da saúde à segurança e à nova economia, e fortalecer a formação inicial e continuada dos nossos professores, que é onde a universidade encontra a escola. E vamos cuidar da permanência de quem entra, porque vaga sem condição de ficar não é oportunidade.
O professor no centro. Nenhuma rede de ensino é melhor do que os seus professores, e hoje o professor paulista perde horas de aula alimentando sistemas: a plataformização do ensino o transformou em preenchedor de planilha, cobrado pela tela e não pela aprendizagem. Vamos fazer uma revisão completa desse modelo, devolvendo ao professor o tempo de ensinar e à tecnologia o seu lugar de ferramenta, que serve ao professor, e não o contrário. E vamos valorizar a carreira docente, investir em formação continuada de qualidade e dar condições reais de trabalho, com o protagonismo e o respeito que a função exige. Um governo que trata mal quem ensina está tratando mal o futuro.
Educação com liderança. A educação paulista terá governança clara, prioridades definidas e responsabilidade nomeada, do gabinete do governador à sala de aula, com metas públicas e acompanhamento permanente. Chega de cada um fazendo o que quer: rede boa é rede coordenada, e coordenar é responsabilidade de quem governa.
4. PROSPERIDADE PARA TODO MUNDO
Nosso programa tem o compromisso de fazer a riqueza de São Paulo chegar ao bolso de quem trabalha, empreende e produz, sem deixar ninguém para trás. Hoje não é isso que acontece:
estudo do FGV IBRE com dados da PNAD Contínua mostra que a renda domiciliar per capita real do estado cresceu em média 1,5% ao ano entre 2012 e 2025, abaixo dos 2% da média brasileira e entre os quatro menores ritmos do país. São Paulo segue tendo a segunda maior renda do Brasil; o problema não é o nível, é o ritmo. E um ritmo que se arrasta há mais de uma década é um problema de projeto, não de conjuntura: um estado que gera riqueza como nenhum outro precisa de um governo que a converta em prosperidade para a sua gente. O nosso projeto econômico se mede pela renda do paulista subindo, na capital e em cada região do interior.
O trabalho que rende. Vamos atuar para que o emprego paulista seja de melhor qualidade e melhor remuneração, conectando a formação profissional às vocações econômicas de cada região, apoiando os setores que pagam bons salários e preparando os trabalhadores para as transformações que a inteligência artificial e a transição ecológica já estão trazendo. O futuro do trabalho vai premiar quem se preparar para ele, e o papel do governo é garantir que o trabalhador paulista chegue preparado, com qualificação acessível, requalificação para quem precisa mudar de área e ensino técnico conectado com as profissões que vêm aí.
O pequeno que cresce. A imensa maioria dos negócios de São Paulo é pequena, e é neles que a prosperidade se enraíza nos bairros e nas cidades. Vamos simplificar radicalmente a vida de quem empreende, ampliar o acesso a crédito justo, apoiar a formalização e abrir as compras públicas ao pequeno fornecedor, para que o mercado do estado também seja motor do pequeno negócio. Empreender em São Paulo tem que valer a pena para todo mundo, de quem está começando a quem já é grande.
O campo que enriquece. O interior paulista é uma potência: o agro mais sofisticado do país, a agroindústria, a energia da biomassa, o cooperativismo e a agricultura familiar que abastece as cidades. E essa potência pode subir de patamar: com a força da cana, São Paulo tem tudo para liderar a nova geração dos combustíveis renováveis, do etanol ao combustível sustentável de aviação, atraindo os investimentos que vão descarbonizar o transporte no mundo e industrializando aqui esse valor. Vamos dar ao produtor as condições que essa liderança exige:
defesa sanitária animal e vegetal tratada como infraestrutura estratégica, porque é a confiança na qualidade paulista que abre mercados, estradas vicinais que escoam a produção, prevenção de incêndios e assistência técnica e inovação para o produtor de todos os portes.
A aposta na inteligência artificial. São Paulo reúne o que pouquíssimos lugares do mundo reúnem: universidades de ponta, base industrial, energia limpa, um mercado gigante e o ecossistema de startups mais desenvolvido da América Latina. Com esses ingredientes, vamos disputar os grandes investimentos da era da inteligência artificial, dos data centers movidos a energia limpa aos centros de pesquisa das empresas de tecnologia, oferecendo regras estáveis, ambientes de teste para inovar com segurança e talento formado em escala. E a aposta maior: levar essa tecnologia para dentro da economia real, aumentando a produtividade da indústria, do agro, do comércio e dos serviços, da grande empresa à padaria do bairro. A inteligência artificial em São Paulo não será privilégio de poucos: será ferramenta de todos para produzir mais, ganhar mais e viver melhor.
Atravessando os quatro compromissos, um selo único: regra clara. Quem investe, empreende e trabalha em São Paulo saberá as regras do jogo, terá segurança jurídica e será tratado com isonomia, porque a economia do compadrio, dos balcões e dos atalhos empobrece a todos. A prosperidade que buscamos é a que se constrói à luz do dia.
5. SAÚDE NA HORA CERTA
Hoje em São Paulo, quem depende da saúde pública tem que esperar. O trabalhador perde o dia por uma consulta, a mãe aguarda meses por um exame e milhares esperam por uma cirurgia sem que ninguém diga quando, nem se, a vez deles vai chegar. A espera média por uma cirurgia no estado passa de onze meses, segundo dados da própria Secretaria da Saúde, e ainda assim o portal oficial da regulação afirma que não possui fila de espera. No nosso governo, a saúde vai chegar na hora certa: com o paciente no centro do cuidado, uma rede de atenção que funcionará e o atendimento que chegará antes da doença.
Consulta, exame e cirurgia com menor tempo de espera. Já no primeiro ano, a fila às claras: posição e tempo de espera consultáveis pelo CPF, prioridade por critério clínico e comunicação direta com cada pessoa sobre os seus agendamentos pelo Meu SUS Digital, como já é feito pelo Ministério da Saúde no programa Agora Tem Especialistas. O programa vai ampliar o acesso a consultas especializadas, exames, diagnóstico completo mais rápido e cirurgias, quando necessário, com o apoio da telessaúde, das carretas da saúde e da oferta complementar de serviços da rede privada, sempre gratuito para o paciente. E o especialista vai chegar perto de casa, com telessaúde nas unidades do interior e das periferias, para que ninguém atravesse o estado à procura de diagnóstico.
O remédio e o socorro na hora certa. O Farmácia Popular, do Ministério da Saúde, será fortalecido no estado de São Paulo, garantindo que os remédios cheguem a quem precisa, de forma ágil e sem espera. As ambulâncias do SAMU estarão conectadas à rede hospitalar de urgências e emergências e a uma central de monitoramento e regulação dos leitos, com suporte da telessaúde e da inteligência artificial, iniciando o manejo precocemente, reduzindo complicações e salvando vidas.
A sua saúde nas suas mãos. Seu histórico de saúde estará disponível no seu celular pelo aplicativo Meu SUS Digital. Em qualquer ponto da rede de atenção onde você for atendido, seja na Unidade Básica de Saúde, no hospital ou na UPA, o profissional de saúde que atender você terá acesso ao seu prontuário clínico e aos resultados de exames, garantindo a continuidade, a qualidade e a segurança do cuidado com a sua saúde.
O cuidado que chega antes da doença. O cuidado com a sua saúde será personalizado, e você será lembrado periodicamente pelo Meu SUS Digital sobre os cuidados que deve ter na sua rotina e quando for a hora da consulta ou de agendar algum exame.
Uma rede só, com o estado de volta à coordenação. Vamos fazer o posto, o ambulatório, o hospital e o laboratório trabalharem juntos. Eles estarão integrados, com registros clínicos unificados, facilitando a continuidade, a qualidade e a segurança do cuidado dedicado a cada paciente em qualquer serviço do SUS em que ele for atendido. A Secretaria Estadual de Saúde
retomará seu papel de coordenação da rede, de organização da regionalização, de regulação da atenção especializada e de participação no financiamento das ações e serviços de saúde. O sistema de vigilância em saúde será fortalecido em integração com a atenção à saúde. Os profissionais de saúde serão valorizados com concurso público, educação permanente e cuidado com quem cuida.
Em São Paulo, a saúde vai ter dia e vai ter hora. E vai chegar até você.
6. SÃO PAULO POR INTEIRO
Um projeto de estado não cabe em cinco capítulos, e as diretrizes a seguir estendem às demais áreas da vida paulista os mesmos princípios deste programa: prioridade, cooperação com os municípios e resultado medido. Cada uma delas será detalhada no plano de governo completo.
Igualdade e respeito. São Paulo é feito de gente de todas as origens, e um estado que tolera discriminação desperdiça talento e nega futuro. Vamos enfrentar o racismo e toda forma de discriminação com política pública séria: igualdade de oportunidades na escola e no trabalho, resposta rigorosa aos crimes de ódio e serviço público que trate cada paulista com o mesmo respeito, seja qual for a sua cor, a sua fé ou a sua orientação.
Moradia digna. São Paulo convive com um déficit habitacional que constrange o estado mais rico do país. Vamos enfrentá-lo com uma política habitacional articulada com os programas federais e com os municípios, priorizando a habitação de interesse social, a regularização fundiária e a melhoria das moradias existentes, porque cidade boa começa com endereço digno.
Mobilidade que liberta tempo. O paulista das regiões metropolitanas perde horas de vida no deslocamento diário. Vamos expandir o transporte sobre trilhos, avançar na integração entre os sistemas e os modais, qualificar o transporte metropolitano e cuidar das ligações que conectam o interior, porque tempo de deslocamento é tempo roubado da família, do estudo e do descanso.
Água e saneamento para todos. Vamos exercer com rigor o papel do estado na universalização do saneamento, fiscalizando a qualidade e a expansão dos serviços contratados, protegendo os mananciais e garantindo segurança hídrica para as próximas décadas, com atenção especial às áreas mais vulneráveis, onde a ausência de saneamento cobra o preço mais alto em saúde.
Preparo para o clima que mudou. Os eventos extremos deixaram de ser exceção, e o estado precisa estar preparado. Vamos fortalecer a prevenção de desastres e a Defesa Civil, mapear e
cuidar das áreas de risco em parceria com os municípios e apoiar a adaptação das cidades, além de proteger o patrimônio ambiental paulista, porque a transição ecológica que defendemos na economia começa pelo dever de proteger vidas.
Cultura que pertence a todos. A cultura paulista é potência econômica e alma do estado.
Vamos apoiar a produção cultural em todas as regiões, garantir o acesso da população aos equipamentos e às linguagens culturais e tratar a economia criativa como o setor estratégico que ela é, gerador de renda, identidade e futuro.
Esporte como política pública. O esporte educa, inclui, promove saúde e abre portas para a juventude. Vamos ampliar o acesso à prática esportiva nas escolas e nos territórios, apoiar o esporte de base e usar o esporte como ferramenta de presença do estado justamente onde ele mais faz falta.
Turismo que gera renda. Das estâncias turísticas ao litoral, dos circuitos do interior ao patrimônio histórico, São Paulo tem um potencial turístico subaproveitado. Vamos estruturar o turismo como vetor de desenvolvimento regional, em parceria com os municípios, gerando emprego e renda onde eles são mais necessários.
Proteção social e segurança alimentar. Vamos fortalecer a rede de assistência social em cooperação com os municípios, apoiar quem mais precisa com prioridade à primeira infância e às famílias em vulnerabilidade e garantir que nenhum paulista conviva com a fome, articulando as políticas de segurança alimentar com a força da agricultura paulista.
Respeito a quem envelhece. São Paulo envelhece rapidamente, e isso é uma conquista que exige preparo. Vamos adequar os serviços públicos à longevidade, com atenção à saúde da pessoa idosa, ao cuidado e à participação, para que envelhecer neste estado seja viver mais e viver bem.
Acessibilidade e inclusão. As pessoas com deficiência têm direito a um estado que funcione para elas em todas as políticas, da escola ao transporte, do trabalho à saúde. Vamos garantir acessibilidade, apoiar a autonomia e assegurar que a inclusão seja critério de qualidade de todo serviço público paulista.
7. UM GOVERNO QUE FUNCIONA
Os compromissos deste programa, da segurança à saúde, dependem de um estado que funciona e que entrega, com liderança presente, gestão profissional e a mesma regra valendo para todos.
Gestão com liderança e instituições que ficam. O governador vai liderar pessoalmente um modelo de gestão com prioridades claras, metas públicas e responsáveis nomeados, cobrados em ciclos regulares de avaliação e em parceria com as prefeituras de cada região do estado. E
vamos construir para durar: as estruturas de coordenação, os sistemas de dados e as carreiras técnicas deste governo serão desenhadas como instituições de estado, feitas para sobreviver aos governos e servir aos paulistas por décadas. Valorizar o servidor público faz parte dessa construção, porque nenhum estado funciona contra os próprios quadros: funciona com eles, formados, respeitados e cobrados por resultado.
O estado que funciona na vida das pessoas. Facilitar a vida do paulista será um esforço permanente deste governo: vamos repensar processos, eliminar exigências desnecessárias e usar a tecnologia de hoje para entregar serviços à altura do nosso tempo. O cidadão vai resolver a sua vida com o poder público de forma simples e rápida, em minutos e sem fila, com um estado que se antecipa e avisa antes que falte. Quem empreende terá menos burocracia e mais tempo para produzir e empregar. E ninguém vai ficar para trás: o estado irá ao encontro do paulista no canal que ele já usa, por mensagem, por voz ou pessoalmente, com um
Poupatempo refeito para o mundo de hoje, em que o servidor se senta ao lado do cidadão, resolvendo junto e ensinando.
Contrato vale, e vale para os dois lados. Boa parte dos serviços que o paulista usa todos os dias, do pedágio ao trem, da água ao esgoto, é prestada por empresas contratadas pelo estado, e é dever do governo garantir que o combinado seja cumprido. Nas concessões e privatizações, quem assumiu o compromisso de servir o paulista vai entregar no prazo e na qualidade contratados, com fiscalização de verdade, agências reguladoras fortes e transparência desde a assinatura. Segurança jurídica para quem investe e cumpre; cobrança rigorosa, com as sanções previstas em contrato, para quem não entrega.
O estado no controle das tecnologias. Os dados dos paulistas são patrimônio dos paulistas.
Vamos garantir a soberania do estado sobre os seus dados e as suas plataformas, com privacidade protegida, regras públicas para o uso de inteligência artificial no governo e tecnologia contratada para servir ao cidadão, sem criar dependências caras e opacas.
Transparência, contas prestadas e escuta. Vamos abrir os dados, as filas e os contratos, fortalecer a controladoria e os órgãos de fiscalização e tratar o dinheiro público com o rigor de quem sabe de onde ele vem: nenhum fornecedor, nenhum contrato e nenhuma autoridade acima do escrutínio público. E governo que presta contas também escuta, com conselhos, ouvidorias e participação da sociedade levados a sério, porque quem governa para o povo governa com o povo. A corrupção e o privilégio se escondem no escuro, e o nosso governo vai governar com a luz acesa.
Responsabilidade com o dinheiro do paulista. Este programa foi feito para caber na responsabilidade fiscal: cada compromisso será implementado com fonte identificada no planejamento e no orçamento do estado, com rigor contra o gasto que não entrega e prioridade para o que muda a vida das pessoas.
Este programa termina com o compromisso que o sustenta: o direito do paulista de cobrar o seu governador. No primeiro ano de governo, estas diretrizes serão convertidas em um plano de gestão com metas públicas, prazos e responsáveis com nome e sobrenome, acompanhado por um placar aberto, atualizado a cada trimestre e iniciado pela segurança pública. Governo que se esconde do número é governo que desistiu do resultado. O nosso fará o contrário: vai se medir em público, porque foi para entregar que pediu o voto.
São Paulo pode mais. E, com a confiança dos paulistas, vai comprovar isso a cada trimestre.