PLANO DE GOVERNO
Ceará · 2026
O Ceará inteiro.
Danilo Soares Sousa
Candidatura ao Governo do Estado do Ceará
Partido Democrata · Eleições 2026
1 · A tese: o Ceará inteiro
Todo plano precisa de uma ideia que o organize. A deste é simples: as políticas do Ceará são pensadas a partir da capital, e as demais regiões recebem o que sobra. Não é retórica, é o que os dados oficiais mostram.
O Ceará tem 184 municípios organizados em 14 regiões de planejamento. A Grande
Fortaleza concentra 63,7% de todo o PIB do estado (IPECE, 2025), e as outras onze regiões, onde vive boa parte do povo, dividem uma fração do restante.
E isso aparece no bolso das pessoas. Em 2024, a renda por pessoa no Ceará foi de cerca de R$ 1.210 por mês, a segunda pior do Brasil (IBGE). Dentro do estado, a renda média da Grande
Fortaleza (R$ 2.609) é quase o dobro da do Cariri (R$ 1.570), e os vinte municípios de menor renda, todos no interior, vivem com menos de um salário mínimo. Produzir muito e distribuir mal: é esse o nó que este plano quer enfrentar.
Não se trata de opor interior e capital. Fortaleza também tem o seu “interior esquecido”
nas periferias. Trata-se de um princípio de justiça: o Estado deve chegar com a mesma seriedade a quem vive perto e a quem vive longe do centro do poder.
Interiorizar não é de esquerda nem de direita
Levar saúde, escola técnica, emprego e segurança para onde o cearense de fato vive não é bandeira ideológica, é gestão e é justiça territorial. Esta candidatura se coloca no centro que entrega: preservar o que deu certo, corrigir o que falha e distribuir melhor pelo território o que hoje se concentra na capital.
2 · Como ler este plano
O plano se apoia em quatro eixos: saúde, desenvolvimento, educação e segurança. Todos com o mesmo recorte: o que muda para quem vive longe da capital, em qualquer região do estado.
Cada proposta é apresentada em três perguntas, sempre na mesma ordem, para que qualquer cidadão possa cobrar:
• O problema — com dado oficial e verificável.
• A meta — onde queremos chegar, de forma concreta.
• Como se cobra — o indicador público que mede se cumprimos.
EIXO 1 · Saúde que chega a todas as regiões
Nenhuma desigualdade é mais cruel do que a da saúde. Em boa parte do interior, adoecer significa viajar horas até Fortaleza atrás de um especialista, de um exame ou de uma cirurgia. O Estado avançou na última década, o Programa Mais Acesso a Especialistas, as policlínicas regionais e o Telessaúde são passos reais, mas o mapa da saúde ainda é desenhado a partir da capital.
1.1 · Especialista perto de casa
Problema. O interior não segura médicos: falta estrutura, isolamento profissional e carreira atrativa. O resultado é a viagem à capital para o que deveria ser resolvido na região.
Meta. Criar uma bolsa estadual de fixação para especialistas nas regiões de maior carência, vinculada a metas de permanência, e ampliar as residências médicas regionalizadas.
Como se cobra. Número de especialistas fixados por região e razão de médicos por mil habitantes.
1.2 · Fila única, transparente e com prazo
Problema. A fila da saúde é o problema que mais aflige o cearense, e o menos transparente. Quando existe prazo público, o cidadão deixa de ser refém do balcão.
Meta. Central de regulação com painel público em tempo real e prazo máximo por procedimento, com a mesma régua para capital e interior.
Como se cobra. Tempo médio de espera por consulta, exame e cirurgia, publicado por macrorregião.
1.3 · Atenção primária forte
Problema. Cerca de 80% dos problemas de saúde se resolvem na atenção básica. Quando ela é fraca, o hospital lota com o que poderia ser evitado, e no interior isso vira viagem e sofrimento.
Meta. Expandir o Telessaúde para as unidades básicas do interior e reforçar as equipes de saúde da família, com foco em diabetes, hipertensão e saúde materno-infantil.
Como se cobra. Cobertura de Telessaúde nas UBS do interior; redução da mortalidade infantil; internações por causas evitáveis.
EIXO 2 · Desenvolvimento que fixa o cearense na sua terra
O maior drama econômico do interior tem nome: êxodo. O jovem qualificado vai embora porque não há emprego que o segure. E não há emprego, em muitas regiões, porque a economia local produz matéria-prima barata, não valor agregado, e depende demais do setor público.
A dependência sufoca. No Sertão dos Crateús, quase 63% dos empregos formais estão na administração pública. Sem emprego privado, restam ao jovem o concurso ou a mudança. Onde há indústria, a renda sobe (Eusébio, Horizonte, Maracanaú); onde só há agricultura e emprego público, a renda fica no chão.
2.1 · Agregar valor onde se produz
Problema. O interior vende o couro, o leite, a fruta e o grão in natura e vê o valor — e o emprego — ficarem em outro lugar.
Meta. Apoiar pequenas agroindústrias e unidades de beneficiamento nos municípios produtores, respeitando a vocação de cada região, com crédito orientado e simplificação sanitária proporcional ao risco.
Como se cobra. Número de agroindústrias operantes; empregos formais gerados fora da administração pública, por região.
2.2 · Incentivo com contrapartida
Problema. O Ceará atrai grandes investimentos, mas os empregos de melhor remuneração muitas vezes vão para não residentes, e a cadeia de valor não se enraíza no território.
Meta. Manter a atração de investimento como motor, mas condicionar incentivos a contrapartidas verificáveis: emprego local, qualificação de cearenses e encadeamento com fornecedores regionais.
Como se cobra. Percentual de mão de obra local nos projetos incentivados;
investimentos industriais efetivados fora da Grande Fortaleza.
2.3 · Água como base da produção
Problema. No semiárido, sem segurança hídrica não há renda no campo. E a dependência do carro-pipa historicamente vira instrumento de troca política, não solução.
Meta. Priorizar infraestrutura hídrica permanente (poços, cisternas, reúso, pequenas barragens) nas zonas rurais mais vulneráveis, com capacitação para que a água vire produção.
Como se cobra. Comunidades com autonomia hídrica; redução da dependência de carro- pipa; renda das famílias atendidas.
2.4 · Indústria onde o Ceará precisa dela
PROPOSTA-ÂNCORA. O Ceará sabe atrair indústria, mas não sabe distribuí-la. A Grande
Fortaleza concentra 75,4% do Valor Adicionado da Indústria do estado. Em dez das quatorze regiões,
o emprego depende fortemente do setor público. Sem indústria privada, o jovem só tem concurso ou mudança e, no entanto, é justamente nessas regiões que a mão de obra está mais disponível.
O que o Ceará já provou. Quando o setor calçadista foi atraído para o interior nos anos
1990, transformou regiões: hoje o Ceará fabrica um em cada três calçados do Brasil, com Sobral como maior polo do país. Indústria no interior funciona e fixa gente na terra, mas essa interiorização parou nos polos de sempre. O Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) já tem, em lei, a missão de interiorizar; na prática, a concentração continua.
Meta. Fazer da localização da indústria uma decisão de política pública — dirigindo a atração para as regiões de maior mão de obra ociosa e menor densidade industrial, com logística preparando o terreno.
O que fazemos:
• Incentivo escalonado por região. Quem se instala na Grande Fortaleza recebe o benefício padrão do FDI; quem vai para regiões de baixa densidade recebe o incentivo máximo, regra pública, não negociação caso a caso.
• A indústria certa para cada lugar. Dirigir a atração para cadeias cuja matéria-prima já está na região, agroindústria e beneficiamento de couro nos sertões, fruta no Jaguaribe, calçados em novas cidades.
• Logística casada com a atração. Distritos com terreno pronto, corredores pavimentados e portos secos regionais (a exemplo do Porto Seco de Quixeramobim), com planejamento industrial e logístico andando juntos.
• Contrapartida de emprego local. Todo incentivo vinculado a metas verificáveis de contratação de trabalhadores da região.
• Qualificação casada com a vaga. Formar a mão de obra local antes da instalação, junto ao
Sistema S e às escolas profissionalizantes.
Como se cobra. Plantas instaladas fora da Grande Fortaleza; empregos industriais gerados no interior;
percentual de mão de obra local; km de corredores pavimentados; evolução das regiões de menor densidade industrial no VAB da Indústria do estado.
EIXO 3 · Educação que forma para a vida — e para ficar
O Ceará é referência nacional em alfabetização e nos anos iniciais — um patrimônio construído em décadas, no regime de colaboração com os municípios, que não se joga fora. Nossa posição é clara: preservar o que deu certo e corrigir o que falha. E o que falha aparece com força no interior, na transição para o ensino médio e na desconexão entre a escola e a possibilidade de construir a vida sem precisar ir embora.
3.1 · Ensino técnico com a cara de cada região
Problema. Um currículo técnico pensado para a capital, replicado sem adaptação, não conversa com a economia local, e não fixa o jovem.
Meta. Alinhar as escolas profissionalizantes à vocação de cada região: caprinovinocultura e agroindústria nos sertões; fruticultura no Jaguaribe; turismo e hotelaria no Litoral Norte e no Cariri;
energias renováveis no Litoral Oeste.
Como se cobra. Percentual de egressos do ensino técnico inseridos no mercado local;
cursos alinhados à vocação regional.
3.2 · Valorizar o professor e enfrentar a evasão no ensino médio
Problema. O legado educacional cearense depende do professor — e a evasão no ensino médio ameaça justamente o que temos de melhor.
Meta. Combinar valorização docente com programas de recomposição de aprendizagem e permanência na transição para o ensino médio.
Como se cobra. Taxa de evasão e distorção idade-série no ensino médio; evolução do
IDEB do ensino médio no interior.
3.3 · Saúde mental na escola — de alunos e professores
Problema. O adoecimento mental de estudantes e docentes é uma epidemia silenciosa, e no interior encontra ainda menos rede de apoio.
Meta. Estruturar apoio psicológico regionalizado para escolas, tirando o diagnóstico das costas do professor e criando fluxo entre escola, saúde e assistência social.
Como se cobra. Estudantes e professores atendidos; clima escolar.
EIXO 4 · Segurança com inteligência e prevenção
Segurança é a maior angústia do cearense, e este plano a trata com seriedade e equilíbrio
— nem passar a mão na cabeça do crime, nem transformar o estado num campo de batalha. A resposta que funciona combina três frentes: inteligência para asfixiar financeiramente as facções, valorização do policial e prevenção séria da juventude — a peça que quase todos ignoram.
A violência, antes concentrada na Região Metropolitana, avança sobre o interior e o litoral. Regiões turísticas e cidades do interior já sentem o crescimento das organizações criminosas.
É preciso enxergar essa expansão antes que vire crise, em vez de reagir sempre tarde e só na capital.
4.1 · Inteligência contra a estrutura financeira do crime
Problema. Operações de confronto isoladas deslocam o problema, mas não desmontam a facção. O que enfraquece o crime organizado é atacar seu dinheiro.
Meta. Priorizar inteligência, investigação financeira e integração de dados entre forças estaduais e federais para asfixiar as finanças das facções, em vez da lógica de “guerra”.
Como se cobra. Ativos criminais recuperados; evolução da taxa de esclarecimento de homicídios.
4.2 · Prevenção da juventude
Problema. Onde faltam escola, esporte, cultura e primeiro emprego, a facção recruta. A prevenção é a política de segurança mais barata e mais ignorada.
Meta. Integrar segurança, educação, assistência e esporte em territórios vulneráveis, oferecendo à juventude uma alternativa concreta ao recrutamento.
Como se cobra. Jovens atendidos em programas de prevenção; criminalidade juvenil nos territórios prioritários.
4.3 · Valorizar o policial e a presença do Estado no interior
Problema. O policial da ponta trabalha sem estrutura, e muitos municípios do interior mal veem a presença do Estado.
Meta. Investir em condições de trabalho, tecnologia e presença territorial permanente, com atenção às regiões historicamente descobertas.
Como se cobra. Presença policial por região; tempo médio de resposta a ocorrências no interior.
O método: um governo que se deixa cobrar
Uma candidatura que se apresenta como nova precisa provar que é diferente também na forma de governar. Três compromissos de método atravessam todo este plano:
• Metas públicas e cobráveis. Cada proposta traz um indicador. O cidadão pode acompanhar, ano a ano, se o compromisso está sendo cumprido.
• Olhar territorial. As políticas serão planejadas a partir das 14 regiões, com recursos alocados segundo a necessidade real, não segundo o peso político.
• Transparência e independência. Sem favor a devolver, este governo pode priorizar o interesse público e a prestação de contas acima dos acordos de sempre.